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Muralha Paulista inicia validação de soluções tecnológicas com foco em Inteligência Artificial

IPT está analisando eficácia de sistemas inteligentes de monitoramento desenvolvidos pelo setor privado para expansão do programa

O programa Muralha Paulista está passando por uma nova etapa voltada à validação de soluções tecnológicas de empresas especializadas. O objetivo é aprimorar o sistema já existente, consolidando uma plataforma de fusão de dados e um centro integrador com Inteligência Artificial (IA), capaz de processar informações em tempo real, gerar alertas sobre comportamentos criminais e subsidiar a formulação de políticas públicas.
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) realizou em fevereiro deste ano uma audiência pública com a iniciativa privada para apresentar as principais necessidades do estado na implantação de sistemas inteligentes de monitoramento e outras funcionalidades. Nessa nova etapa, as empresas interessadas demonstrarão a capacidade técnica de execução dos serviços em uma prova de conceito (PoC).
“A gestão se preocupou em descrever com clareza quais eram as necessidades para avançar no Programa Muralha Paulista, e as empresas de tecnologia se dispuseram a apresentar as soluções”, afirmou o subsecretário de Políticas e Planejamento Estratégico da SSP, Rafael Ramos.
Todo o processo é acompanhado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), responsável por avaliar tecnicamente a robustez e a viabilidade de cada proposta. Essa análise é conduzida de forma estritamente técnica e imparcial, garantindo que apenas ferramentas comprovadamente eficazes sejam consideradas aptas pela gestão paulista.
“Com a entrada do IPT, temos a segurança de que a análise será feita com base estritamente técnica. É a ciência falando mais alto, para garantir que cada funcionalidade seja validada de forma rigorosa e imparcial”, destacou o subsecretário.
A nova etapa prevê a criação de uma central de fusão de dados (Fusion Center) e um sistema integrador com Inteligência Artificial (IA) para processar dados, gerar alertas de comportamento criminal e percepções para o comando policial, com a possibilidade de implementação de políticas públicas.
As provas de conceito com as instituições participantes já estão agendadas. Após as demonstrações, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas fará a avaliação das propostas e indicará a performance de solução. A etapa final, que deve acontecer em meados de 2026, é a licitação para a contração dos serviços oferecidos.
Colaboração entre governo, empresas privadas e instituto de pesquisa
Essa fase do programa está alinhada ao conceito de Tríplice Hélice, que envolve a cooperação entre governo, setor privado e instituições de pesquisa — para impulsionar o desenvolvimento econômico e social por meio do conhecimento e da inovação.
Essa parceria fornece a garantia de que cada setor vai cumprir com o seu respectivo papel, tudo isso com o objetivo de tornar o Muralha Paulista ainda mais desenvolvido tecnologicamente.
O capitão Rafael Gouveia, da Divisão de Licitação da SSP, explicou que desde a publicação do decreto até agora, o programa passou por uma “construção”. Essas últimas fases com a parceria de empresas de tecnologia são as mais complexas porque exigem validação de alto nível.
“A gente precisa prosseguir na alocação dos sistemas inteligentes para que isso funcione dentro de um sistema e não só alerta de placa e procurado, por exemplo. É todo o contexto que o próprio decreto prevê. Isso representa um marco significativo na modernização da segurança pública em São Paulo, com maior eficiência e inteligência na proteção dos cidadãos”, explicou.
Sobre o Muralha Paulista
O Programa Muralha Paulista, instituído pelo Decreto nº 68.828, de 4 de setembro de 2024, é uma iniciativa da Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo. O projeto tem como finalidade coibir a mobilidade criminal e ampliar a eficácia das ações policiais por meio da integração de tecnologias de monitoramento e inteligência.
A estratégia do programa é baseada na utilização de ferramentas como leitura automática de placas de veículos, reconhecimento facial e monitoramento em tempo real, com o apoio de milhares de câmeras espalhadas por todo o estado. Essas tecnologias estão conectadas a um banco de dados de diversos órgãos públicos.
Um aplicativo utilizado pelos agentes públicos, como Polícia Militar e Guarda Civil Metropolitana, recebe os alertas emitidos após o confronto das informações com o banco de dados, como a localização de foragidos da Justiça, pessoas desaparecidas, além de veículos roubados ou furtados, por meio da leitura de placas.
Atualmente, 61% da população paulista está coberta pelo programa Muralha Paulista. A meta é expandir os convênios com todos os municípios, promovendo uma integração completa. O processo com as cidades passa por etapas de análise jurídica e compatibilidade tecnológica.

Redação

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